O Teatro CIEE, em São Paulo/SP, recebeu na última terça-feira (11/08) um encontro com alguns dos principais nomes do mercado financeiro brasileiro. Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central do Brasil; Alfredo Egydio Setubal, presidente da Holding Itaúsa; Paulo Cezar Aragão, ex-superintendente Jurídico da Comissão de Valores Mobiliários (CVM); e Roberto Teixeira da Costa, economista e conselheiro Emérito do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), participaram de um debate sobre os desafios da regulação do mercado de capitais.
Mediado por Humberto Casagrande, CEO do CIEE, o encontro colocou em pauta um tema que ganhou ainda mais relevância diante de acontecimentos recentes no sistema financeiro, como o caso do Banco Master: como aprimorar a regulação e a supervisão do mercado diante de estruturas cada vez mais complexas?
Durante o debate, Armínio Fraga falou sobre o papel das fintechs e a relação delas com o sistema financeiro tradicional. Para o ex-presidente do Banco Central, as fintechs não devem ser vistas necessariamente como concorrentes diretas dos bancos.
“Eu não vejo as fintechs como sendo um substituto natural e concorrente dos bancos. Vejo, sim, o mercado de capitais como um todo”, afirmou o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga. “O mundo das fintechs vive mais no sistema de pagamentos”, acrescentou.
Fraga também destacou o uso de fundos na composição dos ativos dos bancos como um dos principais pontos de atenção do momento.
“Eu acho que o destaque do momento, para mim, foi o uso de fundos nos ativos dos bancos”, disse.
Segundo o economista, esse tipo de estrutura não impede a supervisão, já que Banco Central e Comissão de Valores Mobiliários (CVM) possuem instrumentos para examinar os fundos.
Ao comentar o caso do Banco Master, Fraga também defendeu a importância de aprofundar a análise dessas estruturas para avaliar a qualidade dos ativos.
Outro ponto discutido foi a regulação do sistema financeiro. Fraga defendeu uma transição gradual de um modelo baseado no tipo de instituição para uma regulação orientada pela função exercida no mercado. Segundo o economista, a mudança poderia oferecer mais flexibilidade ao sistema e aos órgãos reguladores.
Conhecimento, experiência e novas perspectivas
A presença de especialistas com diferentes trajetórias proporcionou uma discussão ampla sobre o presente e os caminhos do mercado financeiro brasileiro.
Para o CIEE, encontros como esse também representam uma oportunidade de aproximar estudantes e jovens profissionais de temas relevantes para sua formação e de grandes referências de diferentes setores.
Ao abrir espaço para o diálogo entre experiência, conhecimento e novas perspectivas, o CIEE reforça seu compromisso com uma formação que também acontece fora da sala de aula.
Lançamento de “Aventureiros e larápios”
O evento também marcou o lançamento do livro Aventureiros e larápios: histórias de quem abalou ou quase quebrou os mercados, de Roberto Teixeira da Costa e Fábio Pahim Jr.
A obra reúne histórias de personagens e episódios que marcaram o mercado financeiro, revelando os bastidores de momentos de grande impacto e mostrando como decisões, riscos e estratégias podem transformar os rumos dos mercados.
Com décadas de experiência no setor, Roberto Teixeira da Costa é um dos nomes pioneiros do mercado de capitais brasileiro. Ao lado de Fábio Pahim Jr., ele reúne na publicação histórias que ajudam a compreender não apenas os números, mas também as pessoas, decisões e circunstâncias por trás de grandes acontecimentos do mercado.
O lançamento reuniu convidados no Teatro CIEE, em mais uma noite dedicada ao conhecimento, à troca de experiências e à literatura.
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