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Violência contra a mulher: entrevista com Luiza Brunet, empresária e ativista

A Luiza Brunet, símbolo e referência da beleza miscigenada da mulher brasileira, nos anos 80 e 90, é hoje uma ativista diligente no enfrentamento da violência doméstica.

Vítima, ela própria, de violência sexual aos 12 anos, dentro de casa, e de violência física em um relacionamento, já adulta e muito recentemente, Luiza não se abate em contar os próprios casos para encorajar outras mulheres a fazerem o mesmo, com o claro objetivo de expor uma realidade que ainda rouba infâncias e vidas adultas.

Na entrevista ao Pensando o Brasil com Adalberto Piotto, pela TV CIEE, Luiza vai além ao criticar a estratégia do combate a violência que assola mulheres.

“As campanhas de enfrentamento da violência contra as mulheres são feitas para as mulheres se protegerem da violência e não para que os homens não agridam as mulheres. O foco está completamente errado.”

Embora reconheça a importância de uma mulher se proteger, Luiza diz que só uma campanha que enfatize a punição ao agressor pode fazer avançar a conscientização acerca deste crime. E ela ainda critica a sensação de impunidade entre homens agressores porque apenas o feminicídio, ou seja, a morte de uma mulher por agressão violenta, é punido com cadeia. Na maioria dos casos, as penas ao agressor são medidas socioeducativas ou condenação pecuniária de baixo valor, como pagamento de cestas básicas.

Na conversa, Luiza ainda lamenta a sexualização precoce de crianças com a anuência dos próprios pais, diz que a presença de homens nos eventos em que ela debate a violência contra a mulher tem sido surpreendentemente positiva, e que sua fase ativista, neste momento, é a melhor da sua vida. E não vê incômodo algum em ser questionada, mesmo agora, sobre uma dica de beleza, “tema igualmente importante e relevante”.

“Na pauta feminina, cabem todos os assuntos: violência doméstica, empreendedorismo feminino, beleza. A versatilidade é maravilhosa”.