Inicio do conteúdo site.
O Brasil da nossa vez: entrevista com Antônio Delfim Netto

“Se gastar fosse a solução, não teríamos país subdesenvolvido”.

A frase do ex-ministro Antônio Delfim Netto cabe muito bem na atualidade do Brasil deficitário com demanda por mais gastos públicos, seja pela pandemia ou pela necessidade de sempre de mais investimentos. No país que tenta destravar seu desenvolvimento com crescimento econômico muito aquém da média mundial nas últimas quatro décadas, o peso do grave problema fiscal de um Estado que foi ficando caro e ineficiente aumentou com o passar do tempo. E com risco real de aumentar mais.

Delfim Netto viveu intensamente a realidade brasileira desde o final dos anos 50. Nos governos militares, foi o poderoso ministro da área econômica, embaixador em Paris e com uma sucessão de mandatos de deputado federal, já na era da redemocratização.

Na entrevista ao “Pensando o Brasil com Adalberto Piotto”, pela TV CIEE, o tema do tamanho do Estado brasileiro e sua relação com a Constituição de 1988, de alto valor na concepção de direitos, é apontada como um dos entraves para a vida do país em todos os governos posteriores. Delfim, que foi constituinte, diz que o pensamento da época levou a um engessamento dos recursos e a longos trâmites no Congresso para a aprovação de medidas, condições que limitam o poder administrativo do chefe do executivo, seja quem for, em que tempo for. Os constituintes “onipotentes” menosprezaram a capacidade administrativa dos presidentes que ainda iriam assumir o comando do país, diz ele.

Na conversa, Delfim comemora os avanços conquistados desde a época do império, sobretudo os mais recentes, com as instituições funcionando. “Do ponto de vista político, o Brasil fez o curso completo”. Mas pondera o descompasso econômico, relativiza a polarização política do país e defende a governabilidade de quem foi eleito sob a democracia, como Bolsonaro, ao rejeitar ainda qualquer possibilidade de retrocesso nas liberdades e conquistas brasileiras. “De jeito nenhum. Não há o menor risco”, enfatiza.