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Língua portuguesa: culta, bela e vivíssima – entrevista com Pasquale Cipro Neto, professor

20 de setembro de 2021

A língua que falamos é viva, é um fenômeno natural que pode absorver as transformações culturais do momento e o sotaque é uma de suas riquezas mais expressivas.

Há décadas, o professor Pasquale Cipro Neto, autor dos conceitos acima, tem feito a defesa do ensino da língua portuguesa com respeito à norma padrão, mas também a explicar e a incluir as novidades que surgem com o tempo. É dele, inclusive, a comparação entre a língua portuguesa e o guarda-roupa, em que dependendo do momento e da ocasião, você escolhe o traje e o estilo mais adequados para vestir e se comunicar, sem traumas, atendendo aos contextos do dia a dia.

Pasquale apareceu ao grande público ainda no início dos anos 90, quando convidado pela Rádio Cultura de São Paulo, da Fundação Padre Anchieta, para fazer um programa que falasse de língua portuguesa de maneira natural, com dicas do bom e sensato uso da norma culta, sem que necessariamente se parecesse com uma aula. O “Nossa Língua Portuguesa” se revelou um fenômeno de repercussão, ainda mais porque, não raro, baseava-se em letras de grandes compositores da MPB, o que reforçava o conceito do saber o português como identidade nacional brasileira, acessível e disponível.

O sucesso foi tanto que o programa foi levado à TV Cultura, logo no ano seguinte. Por anos, o jornal Folha de S.Paulo também abraçou a ideia e publicou semanalmente a coluna “Inculta e Bela”, do professor Pasquale, com dicas de português entre o certo e o errado e citações de grandes autores. Modelo semelhante ao que usa na sua atual coluna na Rádio CBN.

Na entrevista ao “Pensando o Brasil com Adalberto Piotto”, pela TV CIEE, Pasquale Cipro Neto, que ensinando português na televisão, no rádio e no jornal se tornou uma celebridade, conta detalhes de um dos casos mais famosos da publicidade brasileira em que esteve diretamente envolvido. Contratado pela agência que fazia as campanhas da rede de restaurantes McDonald’s no Brasil, corrigiu a letra da música que dava a receita do sanduíche mais conhecido da marca. O “jingle” original do McDonald’s não traduzia por completo a expressão “dois hamburgers”. Anglicismo já aportuguesado, Pasquale, em ritmo de aula de comercial de televisão, ensinava na peça publicitária: “Dois hambúrgueres”, com forte entonação professoral no plural e na grafia devidamente corrigidos. Foi histórico!

A conversa ainda versa sobre licenças poéticas, pronomes oblíquos – a mesóclise, em especial, que foi completamente retirada do texto da Constituição de 1988 – a linguagem neutra e a necessidade de o debate público, brasileiro ou de além-mar, sobre o uso do idioma ou do que quer que seja, ser feito com calma e respeito.
#PensandooBrasil