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Inclusão racial e o mundo do trabalho: reflexões para o futuro

1 de dezembro de 2021
Jorgete Lemos, Jandaraci Araújo e José Vicente participam de webinar e apontam possíveis caminhos para a equidade nas relações profissionais

Aproveitando o mês da Consciência Negra para levantar o tema da inclusão racial, promovemos um webinar que contou com a participação da consultora organizacional e diretora da Jorgete Lemos Pesquisas e Serviços, Jorgete Lemos; da cofundadora do Conselheira 101 – iniciativa que estimula a inserção de mulheres negras em conselhos de administração das empresas e membro do Conselho Consultivo do CIEE, Jandaraci Araújo e do reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, José Vicente.

Um dos pontos abordados foi o processo de apagamento da cultura negra promovido por práticas sociais que perduram por séculos. 

“Temos a responsabilidade de promover uma mudança disruptiva nas mentes que podem traçar novos caminhos. Conhecemos a nossa ancestralidade? Esse conhecimento impacta o presente e o futuro. É o orgulho de ser o que se é. Nós nos reconhecemos ou estamos inseridos em um contexto de apagamento cultural?”, refletiu Jorgete.

Do ponto de vista corporativo, os participantes concordaram que a inclusão racial deve ser tratada como requisito para o crescimento sustentável. Para rever conceitos e quebrar a discriminação no ambiente profissional, organizações empresariais, desempenham papel fundamental. 

“A gente precisa dar carreira para os jovens negros. Não há mais tempo para desculpas de que não existem pessoas negras preparadas. Não precisamos de uma pessoa, nem duas, mas de no mínimo 30%, para fazer essa roda girar. É preciso entender em que patamar as organizações estão e tomar medidas concretas. É preciso ter metas claras. Não dá para excluir 56% da população e achar que está tudo bem”, disse Jandaraci.

As barreiras da discriminação e do preconceito, que ultrapassam qualquer contexto social – seja pessoal ou profissional -, também foram abordadas.

“Mesmo com a discriminação sendo um crime inafiançável e imprescritível, não conseguimos conciliar as duas coisas, um país que define a igualdade de todos perante às leis, e um país que na realidade entrega algo totalmente diferente, um país segregado, onde há muitos com muito pouco e poucos com muito. É impossível que possa haver indivíduos que tenham mais acesso, mais prerrogativas, que prejudiquem os outros”, afirmou o professor José Vicente.

Por fim, o questionamento feito por Jorgete em certo momento do webinar, reflete a urgência da questão: o que estamos fazendo hoje para deixar um legado para que as futuras gerações tenham orgulho de nós?