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Peças encaixando um quebra-cabeça com cinco mãos iluninadas

Por mais inclusão, pela legitimidade e visibilidade!

6 de outubro de 2021

O artigo 4º da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei n.º 13146/2015) define: “Toda pessoa com deficiência tem direito à igualdade de oportunidades com as demais pessoas e não sofrerá nenhuma espécie de discriminação”.

Apesar de ser algo estabelecido na legislação brasileira, muitas vezes essa premissa acaba esbarrando no capacitismo, que normaliza o preconceito com a pessoa com deficiência, cria obstáculos para a inclusão induzindo ao senso comum de que a limitação poderia influenciar diretamente na produtividade do colaborador. 

E como saber que estamos sendo capacitistas? Todos nós já o fomos se em algum momento utilizamos expressões como: ‘Não tenho braço para fazer’, ‘Vou fingir demência’, ‘Parece um milagre’, ‘Eu não acredito que essa pessoa é capaz de tanto’, ‘É inacreditável’ e outras frases que normalizamos no contexto profissional ou mesmo em outras práticas sociais. Essas expressões são desrespeitosas com as pessoas e com profissionais que possuem vocação, talento para exercer qualquer tipo de profissão e mais do que isso: ocupar o espaço que quiserem na sociedade. 

Às vezes é fácil dizer o que a pessoa com deficiência não pode fazer. Mas e aquilo que ela pode fazer? Quem determina este limite e até que ponto a pessoa com deficiência pode avançar em sua carreira profissional é o próprio indivíduo. 

Em webinar promovido recentemente pelo CIEE para marcar o Dia de Luta da Pessoa com Deficiência (21 de setembro), o professor André Kaysel resumiu: “Nós estamos apenas querendo levar nossas vidas, trabalhar e estudar. Não precisamos ser vistos como exemplos, maravilhas, qualquer coisa do tipo. Somos pessoas que queremos ter nossos direitos atendidos dentro da singularidade do fato de sermos pessoas com deficiência”.

Dito isso, precisamos reforçar que a principal forma de combater o capacitismo é promovendo a inclusão. Nas empresas, quanto mais diversas forem as equipes, maiores são as possibilidades de os colaboradores passarem a entender outras realidades que não sejam as suas.

Organizações que contam com equipes pautadas pela diversidade estão focadas na longevidade e sustentabilidade financeira, e acompanham as transformações de nossa sociedade. Considerando dados do último censo IBGE, 25% da população possui algum tipo de deficiência. Atender, por exemplo, a pessoa com deficiência é considerar que este é um público consumidor e com ele sua família.

Desde 1999, o CIEE desenvolve ações para informar e sensibilizar parceiros sobre a inclusão socioprofissional. Entendemos que a pluralidade torna o ambiente corporativo suscetível ao desenvolvimento de práticas inovadoras na solução de problemas.

Neste processo, o Inclui CIEE é um importante aliado. Nossa equipe atua diretamente com empresas parceiras que buscam promover a inclusão, e desenvolve um trabalho de consultoria, que passa por um mapeamento detalhado e conversa com gestores sobre como promover o sentimento de pertencimento a partir de práticas de acolhimento e respeito.

Para isso, há de se louvar o ensino da Língua Brasileira de Sinais (Libras), a comunicação com acessibilidade para software de voz, autodescriçao em reuniões e estruturas de trabalho que considerem a acessibilidade arquitetônica com rampas, piso tátil, elevadores e demais tecnologias assistivas como suporte e apoio quando necessários.

A barreira atitudinal ainda é a maior de todas as enfrentadas pelas pessoas com deficiência. Preconceito e desconhecimento dificultam o convívio em sociedade,  seja na escola, na empresa, na festa, na atividade esportiva, na palestra. Por isso, destacamos que este é um combate a ser travado por toda a sociedade. É urgente que pessoas com deficiência saiam da invisibilidade. Afinal de contas, não estamos nos referindo a heróis, tampouco a coitadinhos.

Seja anticapacitista, encoraje as pessoas com deficiência, favoreça a participação delas e dê voz a quem por muitas vezes é invisibilizado. Seja uma ponte, demonstre interesse pelo assunto e pratique o relacionamento e a aproximação. Desta forma todos ganhamos enquanto sociedade. 

Juntos podemos fazer muito mais!

Lilene Ruy, supervisora de Inclusão Social do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE)