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Jovem em Manaus com o Auxílio Juventude

Sobre o Auxílio Juventude, a realidade brasileira e os Espaços de Cidadania do CIEE

5 de novembro de 2021

Uma  iniciativa que disponibiliza um recurso financeiro diretamente aos jovens, o Projeto Auxílio Juventude é um estratégico instrumento de emancipação e transformação social. Em execução desde junho deste ano, este projeto é realizado pelo CIEE, no Espaço de Cidadania de Manaus, oferecendo um valor mensal de cento e vinte reais para contribuir com um mínimo de sobrevivência digna e de possibilidades para as juventudes. 

Os Espaços de Cidadania são lugares de convivência e trocas para melhor proteção e desenvolvimento das potencialidades humanas. Com mais de 57 anos promovendo o acesso e a integração de jovens ao mundo do trabalho, o CIEE percebeu que era necessário se conectar com @s jovens antes mesmo de entrarem na vida laboral. A intenção  é estimular a vivência de experiências significativas que contribuam para o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários, em especial, a  permanência na escola e em atividades que favoreçam o planejamento e execução de um projeto de vida de sucesso. 

Dados da Pnad Contínua da Educação 2019, revelam que o principal motivo apontado para o abandono escolar é a necessidade de trabalhar (39,1% dos jovens entre 14 e 29 anos), seguido pela falta de interesse em estudar (29,2%).  Vale destacar que, com a nova reforma do Ensino Médio, que propõe educação integral, jovens que precisam trabalhar para sobreviverem e sustentarem suas famílias, talvez tenham que desistir de seus estudos, sendo fundamental a construção de itinerários que contemplem a inserção em trabalhos protegidos e formativos que qualifiquem as juventudes para um mundo profissional cada vez mais especializado e complexo e/ou a inserção em programas de transferência de renda, capazes de financiar a sobrevivência enquanto estudam. É necessário evitar que jovens considerem desvincular a escola de seus sonhos, suas perspectivas de futuro;a falta de estudos tende a representar perda de renda, para além de menores possibilidades de conhecimentos e escolhas. 

Durante a pandemia, foi significativo o aumento de histórias de fome, perdas de emprego, violência doméstica, desespero e desesperança. Os relatos de sofrimento psíquico, trabalho precarizado, jovens não participando das atividades socioeducativas  para cuidar de crianças ou vender água no farol, ou fazer algum bico foram diversos. As estruturas de exclusão social, que produzem as desigualdades, foram aprofundadas, as Escolas que já tinham dificuldades em ofertar uma educação de qualidade e envolvente, com a pandemia se desconectaram ainda mais das juventudes. 

Desde que o Projeto Auxílio Juventude foi implementado houve aumento na presença das juventudes no Espaço de Cidadania de 78,6% para 84,3%. Destaca-se que o CIEE já disponibilizava cestas básicas às famílias que precisavam, mas definitivamente, com um recurso em mãos as pessoas têm mais chances de escolherem os produtos que melhor suprem suas necessidades, maior possibilidade de dignidade.   

A experiência de ter um recurso próprio, fixo, todo mês, um cartão magnético nominal permite com que as juventudes custeiem suas necessidades básicas e realizem um planejamento financeiro e balanço do que foi possível ser realizado ou não e por quais motivos, o que gera uma educação financeira, tanto n@s beneficiári@s diretos, quanto em suas famílias que estão sendo mobilizadas para respeitar as autonomias e compartilhar responsabilidades.

Em seis meses de realização os bons resultados já são visíveis: regularização de documentos, jovens relatando aprender a gostar de fazer contas e planejamentos, experiência com planilha de excel e teve até quem poupou e comprou uma bicicleta, com a economia de alguns meses e quem está empreendendo em compras e vendas de alimentos (brigadeiros, bolos) e vestimentas (duas conviventes abriram uma loja virtual). Os principais gastos são com uniforme, material escolar, cursos, óculos, peças para computador, supermercados, farmácia e pagamento de dívidas. Jovens familiares e equipe estão mais entusiasmad@s e revitalizad@s. É imprescindível que as juventudes se sintam valorizadas, úteis e respeitadas, é urgente jovens vivenciarem relações protetivas e emancipatórias, isso desencadeia desejos, sonhos, perspectivas de futuro e vontade de viver. 

A ética da coletividade promove a solidariedade para a transformação social, política e econômica. Quanto mais a sociedade se unir para proteger e desenvolver integralmente jovens e famílias brasileiras, mais condições e oportunidades teremos de construir um país mais justo, igualitário, digno e propício ao Bem Estar Social e ao desenvolvimento de uma economia sólida e sustentável.

Luana Bottini, gerente de Projetos Sociais do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE)


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