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Identidade Brasil

23 de julho de 2018

Numa visita ao gerente do Canal Futura, João Alegria, soubemos de alguns números de programas de relevo, como o “Identidade Brasil”. Na segunda-feira, às 17h30m, no Canal 87, quando ele é apresentado pela primeira vez, há uma audiência de 21 milhões de pessoas, o que dá bem a dimensão do alcance do programa, nessa verdadeira escola sem paredes.

O que se pode afirmar, com toda a segurança, é que 46% da nossa população conhecem essa rica programação, hoje licenciada para ser apresentada em emissoras de Europa, África, América e Ásia, divulgando ações de mobilização comunitária. O Canal Futura cresceu muito a partir do seu nascimento, no Rio, no dia 10 de setembro de 1997. Estima-se que, hoje, sirva a 60 milhões de brasileiros, com o reforço de uma importante rede de televisões universitárias, o que lhe dá ainda maior dimensão.

No caso do “Identidade Brasil”, os temas abordados referem-se, basicamente, à educação, cultura, tecnologia e inovação, servindo, assim, a alunos e professores, além de estagiários atendidos pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), que acaba de criar uma inteligente Universidade Corporativa em São Paulo, para um universo de 20 mil estudantes por mês no Saber Virtual.

A madrugada não conhece obstáculo para o Canal Futura. Os grandes temas da atualidade são discutidos de modo permanente, como aconteceu outro dia, às três da manhã. A TV Futura apresentou um belíssimo programa de discussão sobre as questões de gênero, na Escandinávia, particularmente na Suécia. Os alunos de pré-escola não são chamados de menino ou menina, mas por uma expressão genérica (heren). O significado disso é discutido por pais e professores. Dá um novo sentido ao papel da escola. É uma questão de atualidade.

Faz tempo que defendo que a escola não é um espaço onde se aprende somente letras e números. É no ambiente escolar que se promove a cidadania e se aprende a pensar. Falar de gênero na escola é exercitar o reconhecimento da igualdade entre homens e mulheres, estimulando o convívio num espaço democrático e inclusivo, onde estudantes aprenderão as regras mais simples do respeito mútuo.
Repito sempre que necessário: a escola é um instrumento poderoso para o exercício da cidadania, onde se formam cidadãos que tenham apreço pela liberdade e pela tolerância, em igualdade de condições para todos. Isso está na legislação brasileira.

Um dos artigos da nossa Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional dispõe que: “A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e
sua qualificação para o trabalho”.

Silenciarmo-nos sobre essa questão é reproduzir as desigualdades e ignorar a diversidade. Veicular debates sobre o assunto, como faz o Canal Futura, não significa anular as diferenças, nem promover ideologias. Canais como o 87 nos apresentam um espaço livre de discriminação, com a potência de formar uma audiência sem machismo, homofobia, misoginia e qualquer tipo de preconceito.

Arnaldo Niskier é presidente do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE/RJ). Foi secretário de Estado de Educação e Cultura no Governo Chagas Freitas, entre 1979-1983. Presidiu a Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado  do Rio de Janeiro (Funarj) e foi professor titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Niskier foi o primeiro secretário de Estado de Ciência e Tecnologia do país (Guanabara), no período 1968-1971, quando inaugurou o
planetário do Rio de Janeiro. Pertence, à Academia Brasileira de Letras (ABL) desde 1984, da qual foi presidente nos mandatos de 1998 e 1999.

Artigo publicado originalmente no jornal O Globo em 16/04/2018.


Tags: Artigo
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