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Aperto de mãos entre uma pessoa negra e uma branca

Branquitude, você já descobriu a sua?

1 de dezembro de 2021

No Brasil de 2021, ser branco ainda é sinônimo de conforto e privilégio. Essa é a premissa básica de um conceito conhecido como branquitude, baseado na falsa verdade de que a raça branca seria tão superior ao ponto de reunir somente traços característicos positivos – como inteligência, educação e beleza – sobre outras raças. A ideia, portanto, está diretamente ligada à desigualdade e ao preconceito contra diferentes grupos étnicos, por meio de atitudes que se reproduzem todos os dias e são disseminadas nos mais diversos contextos sociais.

Reconhecer a branquitude e seus privilégios, permite às pessoas brancas caminharem para o ingresso na luta contra o preconceito do racismo e na direção certa do que é o engajamento na luta antirracista. Brancos podem passear livremente no supermercado, sair correndo sem destino e sem documentos de identificação, levar a filha para passear no parque, pode se perder nas gôndolas das lojas que muito provavelmente não serão revistados, perseguidos e julgados. Isto é um privilégio.

Muitas vezes, em conversas informais, ou mesmo na formalidade do mundo profissional, pessoas negras são julgadas exclusivamente pela cor da sua pele, recebendo rótulos que as associam à criminalidade, pouco vocacionadas ao trabalho, reproduzindo o comportamento de antes da escravização: à margem da sociedade.

O Brasil é o país mais importante na história da diáspora africana.

Compreender a história de três séculos de escravização e a abolição “não concluída” são parte fundamental para entender o racismo estrutural e suas consequências avassaladoras na população negra até os dias de hoje. 

Muito pode ser explicado pelo contexto histórico brasileiro, e como as relações sociais foram moldadas construídas, naquele que foi o último país das Américas a reconhecer o ato. A abolição da escravização, considerada não concluída pelos movimentos negros do Brasil, nos explica que não houve qualquer dignidade ou garantia de direitos básicos a essa população. Sem instrução e sem traquejo social, dificuldades naturais após gerações e gerações serem marcadas pelo flagelo, o trabalho ‘livre’ se tornou, portanto, simples exercício retórico.

As raízes da opressão deixaram elos perdidos que interferem diretamente no apagamento da cultura negra em nosso país cotidianamente. A partir da perda da relação com os antepassados e no apequenamento forçado da historicidade, a realidade reflete em falta de políticas públicas e representação efetiva em espaços de tomada de decisão, seja em organizações privadas ou órgãos públicos.   

Para promover a mudança, é necessário vontade e tomar atitudes concretas, como por exemplo as ações efetivas ou afirmativas. Uma delas, desenhada no início dos anos 2000, é a Lei de Cotas para o acesso de pessoas pobres, negras e pessoas com deficiência ao ensino universitário. A medida visa garantir o mínimo de representatividade desses grupos sub-representados nas instituições públicas de ensino e vem como uma medida de reparação social. Esta legislação está em período de revalidação. Em 2022, haverá grande repercussão política e decisão sobre a continuidade desta ação afirmativa, que já tem apontado ganhos significativos quando olhamos para os números de estudantes universitários negros ingressos nas universidades públicas através das cotas. Portanto, a Lei de Cotas é uma medida justa e necessária para que pretos e pardos possam estar representados segundo os dados do IBGE, que são 56% da população.

 Estamos longe da prática da equidade. Quando o assunto é o acesso ao mundo do trabalho, ainda temos muitas oportunidades e largo terreno para a garantia de direitos e de trazer a representatividade das questões étnico-raciais. As empresas precisam comunicar com objetividade e acolhimento, que naquele espaço a candidatura de pessoas negras é bem-vinda e esperada, e mais do que isso, para além da contratação é preciso cuidar da carreira e da ascensão das pessoas negras, dando apoio, subsídios e empoderamento. 

O INCLUI CIEE é uma iniciativa que visa promover a diversidade e inclusão social dos grupos minorizados e sub-representados. Entendemos que a criatividade e a longevidade dos negócios está conectada com o pensamento livre e com novas ideias. Considerar todas as pessoas e suas diferenças é o que torna a situação sustentável e cria um ambiente propício para estágio e aprendizagem, constituindo uma ferramenta de mudança.

É tudo para ontem! Por isso, conte conosco para as novas parcerias que irão potencializar o seu negócio e que certamente vão contribuir na luta antirracista.

Lilene Ruy, supervisora de Inclusão Social do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE)


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