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Uma jovem morena de cabelos encaracolados e com mochila preta nas costas sorri com um livro aberto em suas mãos. Ao fundo várias estantes de livro.

Os 100 anos de Paulo Freire

28 de outubro de 2021

A perseguição ideológica é capaz de verdadeiros abusos, como aqueles que atingem o educador Paulo Freire. Autor de algumas das obras mais importantes de alfabetização, no país, reconhecido internacionalmente, o Brasil tem negado os seus méritos, sob a alegação de que a sua obra é eminentemente comunista. Falar em pão e trabalho, no seu afamado método, não pode ser pretexto para condená-lo. Ao contrário, devemos mais homenagens ao educador, agora que se comemoram os seus 100 anos de existência.

No dia em que faria 100 anos (19 de setembro), Paulo Freire ganhou uma bonita exposição do Itaú Cultural, em São Paulo, com o expressivo título de “Ocupação Paulo Freire”. Reúne obras, manuscritos, peças originais, documentos, fotos e vídeos, organizados em quatro eixos. “Formação”, “Angicos”, “Exílio” e “Retorno”.

Começou a trabalhar em educação popular no ano de 1947, quando criou a criar o método pelo qual se notabilizou.

Freire alfabetizou mais de 300 alunos com as palavras que eles usavam no seu cotidiano de Angicos, no Rio Grande do Norte. Um dos seus livros mais conhecidos é a “Pedagogia do Oprimido”. Nele propõe reflexões sobre a relação aluno-professor. Também são exibidos documentos da vida do escritor, como a carta que lhe foi enviada por Indira Gandhi.

Pode-se ver que Freire gostava de fazer anotações nas margens das páginas. Chamava a isso de “marginalia”. Contemplou um livro como “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley. Fez também “A pedagogia da esperança”.

Apesar de ter sido seguidamente atacado por Jair Bolsonaro, que o chamou várias vezes de “marxista”, foi homenageado com o título de “Patrono da Educação Brasileira”. E seus livros vendem mais do que nunca, especialmente os mais conhecidos, como “Pedagogia da Autonomia” e o citado “Pedagogia do Oprimido”, com textos de figuras como o linguista americano Noam Chomsky, o filósofo Mario Cortella e o ex-presidente Lula.

Está ainda para sair o inédito “Meus registros de educador”, em que ele faz comentários sobre autores como Karl Marx. Antônio Gramsci e Aldous Huxley. Foi Secretário Municipal de Educação de São Paulo e recebeu na vida mais de 40 títulos de Doutor Honoris Causa”.

Arnaldo Niskier é presidente do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE/RJ). Foi secretário de Estado de Educação e Cultura no Governo Chagas Freitas, entre 1979-1983. Presidiu a Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado  do Rio de Janeiro (Funarj) e foi professor titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Niskier foi o primeiro secretário de Estado de Ciência e Tecnologia do país (Guanabara), no período 1968-1971, quando inaugurou o planetário do Rio de Janeiro. Pertence, à Academia Brasileira de Letras (ABL) desde 1984, da qual foi presidente nos mandatos de 1998 e 1999.

Artigo originalmente publicado no jornal O Correio da Manhã/ RJ em 28/10/2021.


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