A nova geração chega ao mercado de trabalho

16 de outubro de 2018
Eles são criativos, idealistas e estão sintonizados com as tendências tecnológicas. Saiba como atrair os melhores estagiários para a sua empresa e formar grandes profissionais

 

A força de trabalho está mudando de rosto. Em alguns anos, os millennials (pessoas que nasceram entre 1980 e 2000) e os seus sucessores (a geração Z) ocuparão os cargos de liderança. Conectados, inovadores e questionadores, os jovens tendem a propagar ideias disruptivas e a empenhar energia extra nas suas atividades. Mas, para que as empresas consigam captar os melhores talentos, é preciso entender como eles pensam e o que valorizam.

De acordo com dados de uma pesquisa apresentada recentemente no Brasil pela The Center for Generational Kinetics, os millennials e os Zs expressam desejos e valores similares quando questionados sobre trabalho. Ambiente amistoso e horário flexível aparecem no topo da lista como itens valorizados. Gostar do que fazem é outro fator determinante. Para eles, o trabalho e a vida pessoal devem se complementar para garantir a felicidade.

Ambientes participativos e líderes inspiradores contribuem para que os estagiários se envolvam com suas atividades. Além disso, oferecer um programa de desenvolvimento profissional – com cursos, workshops e palestras – é duplamente benéfico, pois capacita e motiva. Lilene Ruy, supervisora de Inclusão Social do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), indica outro ponto de atenção: segundo ela, as empresas devem olhar para os estagiários como profissionais em formação e não como simples cumpridores de atividades corriqueiras.

O diretor de Recursos Humanos da GE para a América Latina, Douglas Almeida, explica que a empresa se preocupa em posicionar bem os seus estagiários. “Eles desempenham tarefas complexas e de impacto para os planos da companhia. O brilho nos olhos e o desejo de entregar resultados raramente estão conectados à remuneração. A motivação para prosperar vem da rotina”, diz o executivo.

Laís Dantas, de 19 anos, estagiária de comunicação interna na GE há sete meses, valoriza o fato de desenvolver funções relevantes “e não trabalhos que ninguém quer fazer”.

A Sanofi Brasil segue a mesma filosofia. Na farmacêutica, a estudante Marina Breanza, 21 anos, faz parte de um projeto composto unicamente por estagiários. Ao todo, onze jovens se dividem em áreas como operações, análise e relacionamento. A meta do grupo é melhorar o desempenho do negócio nos pontos de venda. Os resultados são apresentados mensalmente à diretora comercial. Em outubro, será a vez de o presidente da empresa conhecer as propostas dos estudantes.

Pedro Pittella, diretor de Recursos Humanos da Sanofi, é entusiasta do programa. “É a melhor fonte de recrutamento. Na hora da contratação, os dois lados têm segurança na decisão”, afirma.

Para José Roberto Marques, presidente do Instituto Brasileiro de Coaching e Master Coach Senior, a fórmula para atrair e reter jovens talentos é simples: “Trate os estagiários como profissionais. Tenha clareza na comunicação e entregue tarefas que exijam resultados rápidos e desafiadores”, recomenda.

No Brasil, o CIEE gerencia aproximadamente 220 mil estagiários. Do total, 77% estão matriculados em universidades, 17,7% no ensino médio, 4,8% em cursos técnicos e 0,5% em educação especial. Um levantamento feito pela instituição aponta que as cinco profissões com maior demanda de estagiários são direito, pedagogia, administração, ciências contábeis e engenharia civil. O valor médio de bolsa-auxílio pago é de R$ 948,35, considerando o primeiro semestre de 2018. Os estudantes de engenharia de produção receberam a maior remuneração: R$ 1.288,98.

Aprendiz Legal

Além do estágio, o CIEE promove a capacitação de jovens e  adolescentes, em parceria com a Fundação Roberto Marinho. O programa Aprendiz Legal contribui para a formação de jovens capazes de intervir de forma positiva no trabalho, na vida e na sociedade.  
A Lei da Aprendizagem (10.097/2000) determina que empresas de médio e grande porte contratem colaboradores de 14 a 24 anos para capacitação profissional prática e teórica – as cotas variam de 5% a 15% do número de funcionários.

Matéria publicada originalmente no jornal O Estado de S.Paulo em 28 de setembro de 2018.