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Temas como inclusão e diversidade foram abordados em quatro dias de evento

1ª Semana da Diversidade do CIEE debate gênero, raça e pessoas com deficiência

26 de agosto de 2019
Ação interna foi realizada com foco na conscientização de funcionários de todo o Brasil

Discutir ações afirmativas envolvendo gênero, geração, raça e etnia e pessoas com deficiência no ambiente das empresas. Com esse objetivo, painéis realizados no Teatro CIEE e auditório Olavo Setúbal, em São Paulo, a 1ª Semana da Diversidade do CIEE trouxe diferentes pontos de vista para a realidade dos funcionários, que puderam acompanhar presencialmente e também a distância, por meio de transmissão online.

“O CIEE tem predominância do sexo feminino, temos um longo caminho a percorrer no protagonismo das mulheres e também que o sistema seja fluido e igualitário”,  disse a Juliana Malaquias, colaboradora integrante do pilar Mulheres.

Foram cinco dias compartilhando experiências com diferentes enfoques. As discussões que deram origem à Semana começaram em 2017. Para organizar as atividades, foi desenvolvido um comitê e grupos de trabalho, que mantiveram contato com os painelistas e discutiram as abordagens que o evento teria. 

“É muito disruptivo falar de diversidade em uma entidade de 55 anos. O CIEE retrata a população brasileira e este olhar sobre o tema é algo necessário para a nossa sociedade como um todo. Lidar com as diferenças é o primeiro passo para mudar”, destacou Lilene Ruy, colaboradora integrante do pilar Raça e Etnia.

João Torres, da Consultoria Dow, trouxe a diferença entre diversidade e inclusão

Diversidade e inclusão

A abertura da Semana, na segunda-feira (19), contou com a palestra de João Torres, da consultoria Mais Diversidade. Ele passou por vários temas gerais e explicou a diferença entre diversidade e inclusão, dando um exemplo amplo: o Brasil pode ser entendido como um País diverso, por reunir diversas culturas, mas há pouca preocupação com a inclusão.

“É a partir do contato com pessoas que você consegue fazer mudanças complexas na sociedade. É um processo que é mais eficiente quando discutido no dia a dia das pessoas. Cada um de nós é diferente, mesmo que algumas características sejam compartilhadas. Funcionários que se sentem seguros com expressar quem são no ambiente corporativo são mais eficientes”, pontuou.

 

Rita von Hunty foi uma das painelistas do pilar 'Gênero'

Diversidade sexual e de gênero

Na terça-feira (20), para debater diversidade sexual e de gênero, o CIEE convidou a advogada integrante da Comissão Especial da Diversidade Sexual da OAB/SP, Márcia Rocha, a drag queen Rita von Hunty, o membro do Comitê de Direitos Humanos e Cultura de Paz do Senac, Fábio Ortolano e a no SENAC São Paulo e a primeira executiva trans do Brasil, Danielle Torres.

“Temos ideia de que alguns trabalhos ou comportamentos são naturalmente destinados a serem praticados por gêneros definidos. O engenheiro, a professora… mas vários estudos mostram que há várias sociedades isoladas em que não há separação de trabalho por gênero”, explicou Rita von Hunty.

Para Márcia Rocha, o fato de o País possuir uma legislação avançada sobre o tema não impede que as cidades brasileiras sejam territórios violentos para a comunidade LGBT.

Bruna Black subiu ao palco para tocar duas músicas autorais

Mulheres

Na quarta-feira (21), o painel Mulheres contou com presença especial da cantora Bruna Black no Teatro CIEE. No repertório da jovem artista, foram apresentadas duas músicas autorais inéditas para a plateia formada por colaboradores do CIEE.

Para debater o tema, estiveram presentes Edna Goldoni, idealizadora do “Encontro com Mulheres de Sucesso”, a jornalista Aline Chaves, que hoje atua como gerente de Serviços Digitais e a professora Eliane Xavier. A mediação foi feita por Yara Leal, psicóloga com MBA Executivo em Negócios.

Edna Goldoni fez questão de reforçar que as mulheres precisam buscar seus direitos e independência, mas os homens devem apoiar essa transformação, ancorada no conceito de feminismo. 

“Se eu estou aqui hoje, é porque o meu marido me ajudou e incentivou para eu buscar meus sonhos e chegar mais longe. Ninguém faz nada sozinho”, conta.

Painelistas discutem raça e etnia na 1ª Semana da Diversidade do CIEE

Raça e Etnia

Na segunda mesa do dia, a juíza Mylene Seild foi um dos nomes de destaque. Também participaram do debate a ex-líder do Blacks at Microsoft, Camila Ramos, o realizador do projeto Machado de Assis Real, Alex André e o professor Pedro Aguerre, da PUC-SP.

O debate passou por temas como o racismo estrutural, que impede que negros avancem em suas carreiras, ou não receba as mesmas oportunidades que seus pares devido à cor da sua pele. 

Outro tema levantado no painel foi o da saúde mental dos negros no ambiente de trabalho e espaços em que não enxergam seus pares. De acordo com levantamento da Universidade de Brasília (UnB), a cada dez jovens que cometeram suicídio, seis são negros. Trabalhos acadêmicos e profissionais de psicologia ainda defendem que a depressão, baixa autoestima e estresse estão entre as consequências de quem sofre abertamente ou de maneira velada o preconceito racial. 

De acordo com Mylene, uma pesquisa realizada no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) apontou que nos últimos anos aumentou a proporção de negros na área de balcão da instituição, com menores salários e atividades braçais, em relação ao número de negros em posição de gestão. 

“Os funcionários negros não ascendem dentro da carreira pública de acordo com essa pesquisa, por isso, estamos criando programas para que isso mude”, conta.

No painel sobre geração, participantes puderam saber mais sobre o que mais experientes têm a ganhar na relação com mais jovens

Geração

Na quinta-feira (22), o último dia das atividades da Semana da Diversidade começou com um painel sobre geração, e de que forma profissionais mais experientes podem se beneficiar na relação com os mais novos e vice e versa. O bate-papo ocorreu no auditório Olavo Setúbal.

Uma dos participantes foi Laura Arutin, da PwC Brasil, que apresentou como a empresa tem desenvolvido políticas de flexibilidade de horário e o que isso representa para os colaboradores. O psicólogo Antônio Leitão, do Instituto de Longevidade Mongeral Aegon e a também psicóloga especialista em desenvolvimento humano, Renata Arrepia, complementaram o debate. 

“Enquanto estamos vivos temos algo a oferecer. A questão é: você está preparado para o futuro? Por isso vale a pena se dedicar desde o início a algo que te desperte uma paixão. Cada vez mais estamos vendo profissionais se reinventando na parte final da carreira e isso é uma virtude”, ressaltou Renata.

Colaboradores do CIEE participam de oficina de fotografia cega, na Semana da Diversidade

Pessoas com deficiência

No Teatro CIEE, o painel que encerrou a 1ª Semana de Diversidade do CIEE tratou da inclusão de pessoas com deficiência no mercado do trabalho. Primeiro fotógrafo a cobrir uma Paralimpíada, João Batista Maia contou um pouco da sua experiência e contou um pouco do caminho que trilhou até alcançar seu sonho.

“As pessoas não entendem como um cego pode fotografar. O segredo está na confiança que temos em nós mesmos e nos outros. Lembro que no meu primeiro dia de faculdade um professor veio me dizer que nunca havia tido um aluno cego e não sabia como proceder. Eu respondi que aprenderíamos juntos”, disse João, que ao final do painel ofereceu uma oficina de fotografia cega.

Também estiveram no debate o professor César Lavoura e  a secretária Municipal da Pessoa com Deficiência de São Paulo, Marinalva Cruz, traçou um panorama da acessibilidade no município atualmente, e admitiu que há um longo caminho a percorrer. 

No foyer do Teatro, uma feira de itens produzidos por empreendedores com síndrome de down marcou o encerramento da Semana. 


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