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Diversidade é tema de seminário no Teatro CIEE

18 de setembro de 2019
Sob mediação da psicóloga Renata Arrepia, encontro reuniu José Vicente, João Silvério Trevisan e Célia Leão

Como forma de abrir espaço para debate de ideias e inspirar reflexões sobre o tema, foi realizado nesta quarta-feira (18/9) um seminário sobre diversidade no Teatro CIEE, em São Paulo. Estiveram presentes a Secretária Estadual da Pessoa com Deficiência de São Paulo, Célia Leão, o reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares e membro do Conselho Consultivo do CIEE, José Vicente, e o escritor, jornalista e dramaturgo João Silvério Trevisan. A conversa foi mediada pela psicóloga Renata Arrepia.

Confira alguns trechos do seminário:

Célia Leão

“O Brasil não é o mesmo de quarenta anos atrás. Muita coisa mudou na defesa dos direitos das pessoas com deficiência, principalmente em relação à legislação. Temos, por exemplo, a lei de cotas – que prevê que empresas com 100 ou mais funcionários tenham entre 2% e 5% de pessoas com deficiência entre seus colaboradores. Alcançamos muitos avanços e negá-los é o mesmo do que não ter passado os anos lutando. É necessário entender que não podemos ser iguais e as diferenças nos tornam seres únicos. Somos do jeito que somos e políticas públicas são para todos“, disse a secretária de Estado da Pessoa com Deficiência, Célia Leão, ao apresentar dados do IBGE apontando que há mais de 12,4 milhões de pessoas com deficiência em todo o Brasil.

José Vicente

“Compreender o valor da diferença é um processo permanente. Se eu não tiver interesse de conhecer a trajetória do outro, ele passa a ser indiferente. O conhecimento nos coloca escolhas. Por isso, reconhecer e valorizar as diferenças não basta em uma sociedade que discrimina por causa da cor da pele. As estruturas se constroem e a diferença é colocada como fator de possibilidade ou impossibilidade. Assim, em alguns ambientes, diversidade não significa todos. Ainda assim, eu acredito que a mudança já começou. A melhor empresa é aquela em que todos podem estar presentes“, disse José Vicente. Segundo ele, a principal barreira é imposta pelas atitudes e ainda são poucos os negros em cargos de gestão nas empresas.

João Silvério Trevisan

“Se estamos inseridos em um país, esse país tem que respeitar os cidadãos que vivem em uma situação de invisibilidade para sobreviver. No Brasil, ser LGBT é uma lepra moral. Essas pessoas são isoladas e colocadas à marginalidade. Esse processo começa já infância e passa pela adolescência e vida adulta. Assim, a invisibilidade nos exclui do projeto social do País. Não proponho um grito de guerra. Considero o amor o ápice da experiência humana. O Brasil será muito mais verdadeiro com a presença das nossas diferenças“, disse João Silvério Trevisan, que também sublinhou a luta contra o preconceito como algo necessário para que os valores democráticos se fortaleçam.